Clandestinos

setembro 3, 2010

Solo voy con mi pena,

Sola va mi condena

Correr es mi destino

Para burlar la ley

Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel

O Massacre de Tamaulipas, na fronteira entre o México e o Texas, deixou 72 mortos e um sobrevivente – que se fingiu de morto para escapar.

Um cartel de drogas recrutaria imigrantes ilegais para transportar seus produtores. Eles se recusaram e pagaram com a própria vida.

A guerra às drogas é um fracasso total. Nenhum dos países que adota essa postura consegue  resultados satisfatórios.

A criminalização do consumo dessas substâncias não elimina a dependência do usuário; tampouco afasta os que fazem o chamado uso recreativo.

Pelo contrário, é uma política que acaba provocando situações como essa, inexistentes em um ambiente de consumo tolerado pela lei.

STF = Sim, Torturamos; Foda-se!

maio 6, 2010

O cartunista Carlos Latuff, sobre a impunidade dos covardes da caserna

A decisão dos juízes da Suprema Trairagem Federal em manter de pé a auto-anistia dos torturadores é bizarra.

Ao validarem uma lei datada da época ditatorial que perdoa, entre outros, o crime mais covarde que um sujeito pode cometer, aqueles que deveriam zelar pela justiça traem a memória nacional.

Os covardes da caserna comemoram e aplaudem: seus crimes seguirão impunes.

E o Brasil, na contramão de outros países da região que buscam acertar as contas com um também sangrento e vergonhoso passado, fica devendo explicações à Anistia Internacional: a entidade condenou o absurdo que significou essa decisão.

A crise econômica está muito longe de acabar

maio 5, 2010

Pancadaria na Grécia: O cenário

Manifestante enfrente a polícia

Em frente ao prédio do parlamento, manifestantes resistem ao avanço policial

De um lado, o governo – se utilizando, claro, do dinheiro dos contribuintes – quer salvar um sistema financeiro nacional em colapso. (Salvar o sistema financeiro = dar dinheiro aos bancos e outros conglomerados de agiotagem legalizada).

Do outro, a população grega, famosa por seu histórico de resistência – recentemente, em 2008, o pau já havia cantado naquele lugar que é considerado o berço da filosofia ocidental.

Outro capítulo de uma crise anunciada, fruto do processo de financeirização da economia – principalmente no lado ocidental do globo, EUA e Europa, que operou a migração de empresas produtivas (fábricas, principalmente) para o Leste, onde a exploração desenfreada da mão-de-obra somada a incentivos fiscais (não-cobrança de impostos principalmente) garantem taxas de lucro mais altas. Esse é um processo que está em marcha desde a década de 70 e tem como consequência um refluxo na capacidade organizativa da parte mais frágil do elo capital-trabalho: nós, os trabalhadores.

Um resumo da ópera:

O essencial é que existe uma lógica que conduz uma forma econômica, a atual forma do capital financeiro, a sua transformação. É bem sobre ela que estamos considerando. Estamos escutando a sua transição e a sua metamorfose. O som e a fúria. Só que em economia, as ações e os frutos são humanos. E são estes mesmos que, fazendo os seus gestos iluminados por estruturas e no seu grau de independência, têm a possibilidade de invenção, que pode surpreender. As surpresas devem fazer parte das previsões. E desta forma, se estas atuações forem criativas, elas terminam por acelerar a forma social onde se desenvolvem. Se o engenho por qualquer razão não florescer, temos, na melhor das hipóteses, o vírus da estagnação, que causa uma petrificação da dinâmica da sociedade. Mas, os homens não agem todos no mesmo sentido E as ações na sociedade são conflitos, batalhas, discórdias, em todas as dimensões humanas, políticas, econômicas, ideológicas, culturais, judiciais, legislativas. Como sintoma deste sistema, a incerteza é a parceira do meio da noite.

(…)

é lógico que a crise tenha uma lógica. E esta lógica é a que tentamos compreender. No caso da sociedade contemporânea a lógica é a lógica do capital, uma lógica dinâmica e desequilibrada, que não se deixa aprisionar por equações e modelos econométricos ou modelos estocásticos. A lógica do capital tem seus fundamentos originados nas relações sociais de produção, que atualmente estão hegemonizadas pelas finanças. Só que as relações estão se transformando.

Resta sem dúvida detectar a lógica que impera atualmente, sustentada por um vasto processo de concentração e centralização de capital. E lutar para que a barbárie não faça da civilização um puro mercado, onde tudo se compra, da honra aos automóveis, do computador ao voto, sobretudo quando são os financistas que dão o tom da ética, da política e da cultura. Se reafirma então a questão: para onde vai a lógica do capital?

(Pescado do excelente econobrasil)

Tragédia? I

abril 13, 2010

Primeiro: a UFF já havia avisado que os morros de niquite cairiam;

segundo: nunca é demais lembrar que as pessoas não moram no lixo porque querem. É lamentável que ainda haja muita gente de má-fé insistindo em afirmar isso;

terceiro: até quando o processo de ocupação do espaço no Rio de Janeiro vai seguir a lógica “coloquem os pobres/pretos” longe dos centros urbanos?

Culpar as vítimas, Deus, o diabo, o aquecimento global (!) ou ‘os políticos’ pelo desmoronamento de ‘casas’, construídas sem a menor estrutura, é a saída mais fácil e cômoda. Até o cabralzinho, num raro momento de lucidez, reconheceu a culpa da sociedade como um todo, pelos eventos.  Logo depois, retomada a sua habitual racionalidade umbuguista permeada por soluções paliativas, pregou a remoção dos moradores pr’um lugar mais longe.

Niterói sangra. Somos a quarta melhor cidade em qualidade de vida do país – isso, claro, num ranking que ignora a realidade dos bairros da periferia da cidade, lugares onde o lixo d’Icaraí e São Francisco é estocado.

Agora, ocupamos as manchetes dos jornais por causa dessa ‘tragédia’.

E a culpa dela é de todos que aceitam morar numa cidade que coloca domésticas, garis, catadores de latas e subproletários – quase todos pretos – literalmente, no lixo.

Shame.

Santa Semana

abril 1, 2010

Dylan  mostra os mecanismos de legitimação da guerra e como a demonização do inimigo é sempre uma ferramenta eficaz.

E não precisa ir lá nas cruzadas ou no século passado pra buscar exemplos: o ‘conservadorismo do século XXI’, nessa primeira década, conseguiu aprovar leis que obrigam o ensino religioso nas escolas públicas – seja com Garotinho no Rio, ou com Bushinho nos EUA. Assim fica mais beeeem fácil colar no senso comum a ideia de caça aos hereges

-x-

No mês passado, uma revista voltada para evangélicos de classe média-alta veicuou reportagem culpando ‘cultos obscuros’ – qualquer coisa não-cristã-monoteísta – pelo terremoto no Haiti. A mesma reportagem sugere aos cristãos que não enviem doações ao país, apenas rezem.

Eu perguntaria a esse imbecil como ele explica o terremoto no Chile, país de fortes tradições católicas. Juro que não me surpreenderia com a resposta “A culpa é dos índios!”

-x-

A capa da Istoé destaca a volta dos rituais de exorcismo na Igreja Católica:

http://www.istoe.com.br/reportagens/58820_A+IGREJA+ENFRENTA+SEUS+DEMONIOS+PARTE+1?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

O retrocesso provocado por esse processo de desracionalização é imenso. Deus deve estar se revirando no túmulo.

Oi

março 25, 2010

Meu nome é Guilherme, sou carioca de Niterói e vim tentar a sorte em BH.

Neste espaço, manterei contato com o povo do Rio publicizando minhas reflexões/experiências aqui na metrópole mineira.

Bem vind@s!

P.S: Em virtude da curujisse crônica a seção comentários está desativada pra você, Tânia!

Hello world!

março 25, 2010

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