Pancadaria na Grécia: O cenário

- Em frente ao prédio do parlamento, manifestantes resistem ao avanço policial
De um lado, o governo – se utilizando, claro, do dinheiro dos contribuintes – quer salvar um sistema financeiro nacional em colapso. (Salvar o sistema financeiro = dar dinheiro aos bancos e outros conglomerados de agiotagem legalizada).
Do outro, a população grega, famosa por seu histórico de resistência – recentemente, em 2008, o pau já havia cantado naquele lugar que é considerado o berço da filosofia ocidental.
Outro capítulo de uma crise anunciada, fruto do processo de financeirização da economia – principalmente no lado ocidental do globo, EUA e Europa, que operou a migração de empresas produtivas (fábricas, principalmente) para o Leste, onde a exploração desenfreada da mão-de-obra somada a incentivos fiscais (não-cobrança de impostos principalmente) garantem taxas de lucro mais altas. Esse é um processo que está em marcha desde a década de 70 e tem como consequência um refluxo na capacidade organizativa da parte mais frágil do elo capital-trabalho: nós, os trabalhadores.
Um resumo da ópera:
O essencial é que existe uma lógica que conduz uma forma econômica, a atual forma do capital financeiro, a sua transformação. É bem sobre ela que estamos considerando. Estamos escutando a sua transição e a sua metamorfose. O som e a fúria. Só que em economia, as ações e os frutos são humanos. E são estes mesmos que, fazendo os seus gestos iluminados por estruturas e no seu grau de independência, têm a possibilidade de invenção, que pode surpreender. As surpresas devem fazer parte das previsões. E desta forma, se estas atuações forem criativas, elas terminam por acelerar a forma social onde se desenvolvem. Se o engenho por qualquer razão não florescer, temos, na melhor das hipóteses, o vírus da estagnação, que causa uma petrificação da dinâmica da sociedade. Mas, os homens não agem todos no mesmo sentido E as ações na sociedade são conflitos, batalhas, discórdias, em todas as dimensões humanas, políticas, econômicas, ideológicas, culturais, judiciais, legislativas. Como sintoma deste sistema, a incerteza é a parceira do meio da noite.
(…)
é lógico que a crise tenha uma lógica. E esta lógica é a que tentamos compreender. No caso da sociedade contemporânea a lógica é a lógica do capital, uma lógica dinâmica e desequilibrada, que não se deixa aprisionar por equações e modelos econométricos ou modelos estocásticos. A lógica do capital tem seus fundamentos originados nas relações sociais de produção, que atualmente estão hegemonizadas pelas finanças. Só que as relações estão se transformando.
Resta sem dúvida detectar a lógica que impera atualmente, sustentada por um vasto processo de concentração e centralização de capital. E lutar para que a barbárie não faça da civilização um puro mercado, onde tudo se compra, da honra aos automóveis, do computador ao voto, sobretudo quando são os financistas que dão o tom da ética, da política e da cultura. Se reafirma então a questão: para onde vai a lógica do capital?
(Pescado do excelente econobrasil)